Amigos?

Num mundo cão, de tamanha solidão, como se pode dizer que temos amigos? Quem seriam nossos amigos de fato? Como podemos confiar nas pessoas a pontos de considerá-las como amigas? A amizade é um sentimento de uma fragilidade absurda, que simplesmente se quebra em algum momento, para nunca mais se resolver. Há dor numa boa amizade. Há sentimento de vazio na perda de uma grande amizade. Sim, eu tive amigos. Grandes amigos. O tempo e a distância e os erros nos afastaram. Hoje, não sei dizer se de fato ainda tenho amigos… não sei dizer se ainda acredito nisso, se ainda confio em alguém, sequer se confio em mim… talvez nada nem ninguém seja de fato confiável, e todo relacionamento seja mero jogo de cena. Tudo bem… o mundo gira sem parar, a vida segue, e nossas escolhas determinam nossa imagem…

Entretanto, entre todos

De mais a mais, não entendo mais o que se passa nesse mundo tão barroco. Tento, a todo instante, compreender tudo, sem sucesso, sem chance, sem forma. Não há entendimento, nem compreensão. É uma histeria coletiva, todos contra todos, debatendo-se dolorosamente, destruindo-se mutuamente. Revoltados e revoltosos, com causa e sem noção, em eternos fla-flus que jamais terminam. Sem vencedores, pois não há vitória na guerra, apenas mais e mais desolação. E é assim que somos concebidos, é assim que tudo se desfaz, é assim que nos alienamos mais e mais…

Ahhh vida malvada…

Renato Teixeira já se lamentava dessa vida malvada há décadas… mas a vida é, por vezes, mesmo malvada. E má como madrasta clássica, daquelas sarnentas. Porque a vida é o que é. Temos grande parcela de responsabilidade, sim, e isso não é necessariamente bom. Mas a vida costuma nos dar uns tabefes impossíveis de desviar. E ficamos à deriva, sonhando com dias melhores que nunca virão…

Mudança de endereço (servidor)

Olá, meus raros leitores (literalmente eheh).

Estou transferindo este blog para o BLOGGER. O novo endereço é Entre Nuvens e Gatos.

O motivo? Por lá, consigo, em teoria, maior visibilidade, embora os temas visuais não sejam grande coisa. O wordpress tem mais recursos, mas falha justamente no mais importante: divulgação. Portanto, corram lá! 😀 aquele abraço 🙂

Entre paredes

Entre tijolos e afrescos, agonizo em lentidão. Não sei o Norte, sequer o Sul, apenas posso rodar sem destino. Preso, aprisionado, derrotado, encarcerado. Morto, quase-vivo, arredio e sem coragem. Nem um passo, estaqueado, endurecido, arregaçado pela modorrenta troça da solidão. Sei de vocês o suficiente para evitá-los. Na vida morna das tardes mortas, prefiro o nada ao falo social. Sociedade cafajeste, que mal há? Onde estarei, senão aqui?

Segunda-feira

Segunda, primeiro de cada semana, primeiro dia “útil”, dia de trabalho, de sola gasta, de dinheiro contado pra passagem de ônibus. Dia frenético, o mundo alvoroçado, uma chuva que tudo complica e a todos enlouquece. Trânsito insano, barulho, fumaça, o stress nosso de cada dia na firma. Em direção à jornada, rios de gente se esmagando nos terminais, lutando por um espaço ínfimo, batalhando por um lugar ao sol que insiste em não nascer. Nascer? Segunda é uma quase-morte, a vida por um fio, o momento mágico da turba ensandecida, que corre da chuva, corre contra o tempo, corre para manter o ganha-pão. Corre rumo ao fim…

Manhã de domingo

Uma manhã de domingo é a forma de o homem recarregar as forças. Manhã de domingo é sol, uma brisa leve, neblina logo cedo, calor gostoso que refaz a vontade de viver, sem se preocupar com nada. Domingo na praça, caminhada lenta, o silêncio como testemunha. Tudo com vagar, apenas apreciando a sensação mágica de acordar num dia inteiramente diferente dos demais. É o dia do não-fazer-nada, sem brigas nem intrigas nem fofocas. Uma criança pulando, um cachorro andando em círculos, patinhos na lagoa, tudo tênue como um sonho de fim de madrugada. Qualquer coisa de celestial. Ao longe, um grupo de ciclistas. Nenhum carro, nenhum barulho de motor. Nada que lembre a civilização atroz do dia a dia dos grandes centros. Sem fumaça. Ar. Água. As poucas nuvens brancas, normalmente sequer notadas, dançam calmamente, numa homenagem à Natureza, Deusa-Mãe de todas as coisas. Formas disformes que se fundem e difundem o prazer de viver. A vida sem igual, revivida magicamente à beira da lagoa dos patinhos. Após mergulho na reflexão, a volta… e tudo outra vez…

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